22 de out. de 2012
Um Retrato
como poderíamos, por um momento, pensar que nossa situação tem saída? em um planeta superpovoado e superinfectado como o nosso, os seres humanos são diariamente devorados por seus fantasmas e delírios interiores..não há tempo sobrando para se preocupar com a dor alheia! como ainda se pode crer na transformação do futuro? quando os principais agentes transformadores do pensamento (nem que seja do seu próprio), os psicólogos, se entregam sem pensar aos seus próprios preconceitos mistificados em crenças petrificadas?! não há mais nada que possa mudar a mentalidade pós moderna, nada que desvie a atenção do homem do gosto de sua própria carne..Narciso deixou mais herdeiros do que poderíamos dar conta. Wilde soube mostrar isto muito bem, e nossos destinos que se desdobram, cada vez mais individualistas apenas reforçam o fato: somos genuinamente e deliberadamente egoístas em nossos atos de cada dia, até mesmo no impulso de escrever simples palavras...
27 de jul. de 2012
Razão & Sensibilidade
Passear pelas colinas próximas ao chalé durante a manhã altiva, colóquios agradáveis na hora do chá e quem sabe um pouco de música para despertar a tarde preguiçosa! uma poesia lida com fervor ao final do dia, para agradar os de profunda sensibilidade. Tantas e tantas vezes desejei regressar aos dias de Barton Cottage...dele só me resta a lembrança onírica que hoje acalenta as horas urbanas. A vida em meio a estas mansões e ruas de pedras jamais poderia ser mais encantadora do que a vida no countryside; na cidade não se pode conhecer a todos de forma equivalente, portanto não se pode apreciar igualmente os talentos e o caráter de cada um...esta selva que abriga corações selvagens nunca poderia conhecer adequadamente as calmarias e a paz que reinam em almas que repousam sobre as macieiras, quando o sol dá o seu último adeus, beijando a beira dos morros a se perderem de vista. oh! como anseio por voltar a sentir a plenitude do sol batendo em minha fronte, sem que nenhuma construção sem vida bloqueie os graciosos raios do astro-rei...correr sem rumo algum por entre o tapete verde que se estende até o fim do condado..até o fim do mundo!
Em minhas preces somente há de existirem votos de que na derradeira hora, aqueles que me são mais queridos, lembrem-se de meu modesto pedido, e levem minha alma para fazer o seu último repouso em terreno abençoado, onde amei cada instante que tive a satisfação de viver ao lado de mamãe, Elinor e Margaret...no chalé de Barton!
Sincere words from your always sensitve and true;
Marianne Dashwood.
18 de mai. de 2012
a verdade em carne viva
naquele momento, sentiu uma atração irresistível pela dor, desejou com todas as forças que a vida tomasse o rumo mais sofrido. desejou loucamente que fosse deixado para trás, ignorado e tripudiado. talvez fosse a inércia que tomava conta de sua vida empoeirada...alguma coisa tinha de acontecer.
é claro que sempre se preocupou mais com cicatrizes alheias do que com suas próprias, sua principal função nessa vida parecia ser curar as feridas abertas que encontrava pelas esquinas, as veias esvaziadas e azuladas pelo calor do fogo. ondas de remorso e nostalgia viajam em um fluxo interminável de agulhadas epiteliais, provocando uma profunda dor crônica e isso curiosamente lhe causava satisfação, um quase contentamento.
a dor era de tirar o fôlego, comprimia seu cérebro, mas era revitalizadora. como um sopro vindo diretamente da garganta da morte acordando-o de um sonho catatônico. escrevia-lhe poemas, contos e dava seu sangue por ela, velha companheira de desencontros casuais e noites fatídicas. essa é a canção invocada por uma alma enterrada viva, enjaulada dentro do espelho das próprias ilusões. o extremo, o limite era sua única salvação, nada a impediria de destruir as correntes e cavar seu caminho até a superfície.
dizem que quem passa pelo caminho da dor paga um preço alto, mas seu final reserva uma recompensa. bem, se há alguma verdade nesse mundo, é o fato de que alguns nasceram para se perder por aí...
and it's hard to dance with a devil on your back so shake him off...
17 de fev. de 2012
Mudança Radical
É incrível perceber como uma mudança na aparência, mais espeficiamente no cabelo, pode te renovar por completo. seja uma mudança mínima ou radical, é um combustível para as suas energias que se encontram em velocidade estática. você se sente mais confortável em sua própria pele, e isso vale por milhares de livros de auto-ajuda ou terapias, porque é uma força crua que vem do próprio interior. quero experimentar essa sensação revitalizadora de tempos em tempos, nunca perder a vontade de evoluir...haja tintas e tesouras pra que isso se realize.
15 de fev. de 2012
Leveza
O dia que tanto temia acabou. pôde respirar o ar da tarde mais profundamente. mirou a luz com empatia. havia tirado um grande peso do peito, isso era certo. não há nada como palavras tranquilizadoras, no momento em que você mais as necessita. palavras que põem um fim à toda a ansiedade de mãos trêmulas e às lágrimas compulsivas no meio da noite. sentia um novo e refrescante ímpeto de seguir em frente, como se nada no mundo fosse capaz de fazer desaparecer aquele momento onírico que tinha se materializado magicamente a sua frente.
São desses momentos que saem as nossas melhores criações, como se, de alguma forma, nós conseguíssemos nos enxergar melhor. temos a sensação de estar nadando em uma piscina de águas extremamente claras, em um dia de realização.
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