11 de fev. de 2012
Lembrança Caótica
Quando você sente vontade de gritar, berrar a plenos pulmões, porque sabe que isso vai te levar à fronteira da humanidade, ao estupor animalesco. expurgar a sua dor. entorpecer os sentidos, voar até onde a lucidez permite. às vezes é preciso sair de dentro da bolha gigantesca que oprime nossos cérebros e nos cerca por completo, para respirar um pouco de caos. o caos é necessário, é adaptativo e transformador.
Espelho dos Olhos
Alguém certa vez disse que os verdadeiros amigos são aqueles com quem não há silêncios constrangedores; você não precisa inventar algum fato mirabolante ou simular uma risada seca para manter um clima agradável (apesar de existirem pessoas com o talento nato para a conversa fiada). o segredo é pensar em alguém desejável, com quem você gostaria de estar agora. tentar uma telepatia emocional. e é exatamente como diz o senso popular: entre amigos, o seu sorriso não é falso, aparecem aquelas ruguinhas genuínas ao redor dos olhos.
O que mais há para se saber sobre os amigos é que eles nunca se vão. mesmo idos ou machucados, eles continuarão fazendo parte do grande emaranhado de cores que compõem, aos poucos, nossa vida. mesmo deixados para trás ou quase esquecidos, eles continuarão aparecendo em nossos sonhos de rotineiras noites; pois a marca que a sua alma imprime sobre a nossa está longe de ser rasa.
E para os frágeis laços, é relevante dizer que ainda há solução. esqueça as dores passadas. desculpe as palavras omitidas. afogue as expressões vazias...quando se olha dentro dos olhos do outro, ainda é possível ver cenas de auroras passadas, uma recordação harmoniosa que desprove de sentido a hostilidade do agora.
7 de fev. de 2012
Antiga Estória
Sempre fui do tipo que não acabava aquilo que começava. Tomo por exemplo minha distante infância, onde costumava construir impérios e levantar civilizações, sem jamais movimentá-las. Apenas montava-as, e lá deixava à mercê do tempo e do pó. Talvez me parecesse que a vida estática que levavam meus brinquedos era mais interessante do que a vida de verdade. E então eu cresci, fazendo planos e construindo ideiais como qualquer pessoa...mas meus planos continuam intactos, suspiraram por um compasso de tempo, mas morreram antes de chegar à materialização, assim como meus velhos brinquedos empoeirados em meu antigo quarto.
The Smiths: there is a love that never goes out.
saudades das tardes que passava trancada (mesmo não tendo portas) dentro do quarto, ouvindo exaustivamente os ecos da voz do Morrissey dentro das minhas vísceras, deixando que ele embalasse tranquilamente a minha tão eterna depressão. sentindo cada palavra, cada punhado de auto-piedade e ódio pelo mundo lá fora.
"and if you have five seconds to spare, then I'll tell you the story of my life: sixteen, clumsy and shy...that's the story of my life."
sincronia absoluta, entre uma gravação e uma alma. eu fazia de suas palavras as minhas, e sentia compreensão em cada uma delas..em cada melodia, em cada solo de guitarra doído. Morrissey examinava minha alma com uma lupa, e via todos os males, todos os espinhos
"I've seen it happen..in other people's lives, and now it's happening in mine..."
creio que nenhuma outra banda de qualquer outro lugar distante desse mundo me cairia tão bem, naqueles tempos.
30 de jan. de 2012
Inquietude
Esse estado de constante inquietude incomoda muito. sim, inquietude..pois quais seriam as explicações alternativas a tantas limpezas e reorganizações de gavetas, de tantos passeios sem rumo sob o sol, de tantas tentativas de realizar mil coisas ao mesmo tempo? são todos tiros às cegas, uma tentativa falha de encontrar algo concreto e estável para se fazer...uma maneira de canalizar tanta energia ociosa. o problema da inquietação é que ela não vem só...traz consigo a angústia e a frustração. a angústia de estar sempre em busca de algo que não se sabe o que é nem se é. a frustração de não conseguir superar suas próprias expectativas.
É díficil desligar a mente de um estado como esse. é .. finalmente deixar de lado seus inúmeros afazeres e simplesmente se deixar levar pelo tempo livre que se tem nas mãos, fazer outra coisa, que não seja queimar neurônios. sair. pôr os pés na calçada, movimentá-los até o outro lado da rua, até a esquina, até o fim do bairro, até o fim do mundo. isso requere muita força de vontade, e ao mesmo tempo, uma impulsividade momentânea (devemos sempre aproveitar o momento de impulso, no momento em que ele chega à nossa superfície, na sua forma mais crua e desinibida).
Com um pouco de sorte, talvez essa inquietude infernal um dia passe, subitamente, assim como veio.
É díficil desligar a mente de um estado como esse. é .. finalmente deixar de lado seus inúmeros afazeres e simplesmente se deixar levar pelo tempo livre que se tem nas mãos, fazer outra coisa, que não seja queimar neurônios. sair. pôr os pés na calçada, movimentá-los até o outro lado da rua, até a esquina, até o fim do bairro, até o fim do mundo. isso requere muita força de vontade, e ao mesmo tempo, uma impulsividade momentânea (devemos sempre aproveitar o momento de impulso, no momento em que ele chega à nossa superfície, na sua forma mais crua e desinibida).
Com um pouco de sorte, talvez essa inquietude infernal um dia passe, subitamente, assim como veio.
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